Idolatria da Segurança

Nem todo medo parece medo.

Às vezes ele se veste de prudência.

Outras vezes se apresenta como planejamento.

Em muitos casos, ele se chama responsabilidade.

Mas, escondido atrás dessas máscaras respeitáveis, existe um senhor invisível governando decisões, relacionamentos, sonhos e até mesmo a fé de muitos cristãos.

Seu nome é medo.

E talvez a maior vitória do medo seja justamente convencer você de que ele está apenas tentando protegê-lo.

O Medo Não Quer Te Destruir

Ele Quer Te Paralisar

Existe algo curioso sobre Satanás nas Escrituras.

Ele não precisa necessariamente fazer você cair.

Muitas vezes basta impedir você de avançar.

Uma árvore que não cresce continua ocupando espaço, mas jamais produz o fruto para o qual foi criada.

O mesmo acontece conosco.

Muitos não vivem em rebelião contra Deus.

Também não vivem em obediência.

Vivem em espera.

Esperando o momento ideal.

Esperando mais recursos.

Esperando mais segurança.

Esperando mais garantias.

Esperando mais certeza.

E enquanto esperam, a vida passa.

Os sonhos envelhecem.

Os chamados ficam silenciosos.

E o medo continua sentado no trono.

A Idolatria Moderna da Segurança

Vivemos numa cultura que transformou segurança em divindade.

Tudo precisa ser calculado.

Tudo precisa ser garantido.

Tudo precisa ser previsível.

Queremos mapas completos antes de dar o primeiro passo.

Mas Deus raramente trabalha assim.

Ele chamou Abraão sem mostrar o destino.

Chamou Pedro para andar sobre as águas sem entregar um manual.

Chamou Josué para conquistar uma terra cercada por gigantes sem lhe dar garantias humanas de sucesso.

O Reino de Deus funciona por confiança.

O mundo funciona por controle.

E talvez por isso tantas pessoas estejam espiritualmente exaustas: tentam controlar aquilo que Deus pediu para confiar.

Coragem Não É Ausência de Medo

Essa talvez seja uma das maiores confusões do cristianismo moderno.

Muitos imaginam que pessoas de fé não sentem medo.

Mas a Bíblia nunca ensina isso.

Josué certamente sentiu medo.

Moisés sentiu medo.

Davi sentiu medo.

Elias sentiu medo.

Os discípulos sentiram medo.

Até mesmo Jesus, em Sua humanidade, experimentou profunda angústia no Getsêmani.

A questão nunca foi sentir medo.

A questão sempre foi quem toma a decisão final.

O medo pode bater à porta.

Mas ele não pode receber as chaves da casa.

Coragem não é viver sem medo.

Coragem é continuar obedecendo apesar dele.

O Medo Que Se Esconde na Espiritualidade

Existe uma forma de medo particularmente perigosa dentro da igreja.

Ela não diz:

“Tenho medo de fracassar.”

Ela diz:

“Ainda estou esperando a direção de Deus.”

Não estou falando de discernimento genuíno.

Estou falando da espiritualização da insegurança.

Pessoas que usam linguagem espiritual para justificar sua paralisia.

Elas sabem o que Deus já pediu.

Mas continuam esperando uma confirmação da confirmação da confirmação.

No fundo, não falta direção.

Falta coragem.

Muitas vezes Deus não está esperando que você tenha mais informações.

Está esperando que você dê o próximo passo.

O Medo de Deus Que Não é Temor de Deus

Há uma diferença gigantesca entre reverenciar Deus e ter medo Dele.

O temor do Senhor produz adoração.

O medo de Deus produz ansiedade.

O temor gera confiança.

O medo gera fuga.

O temor reconhece Sua grandeza.

O medo suspeita de Sua bondade.

E aqui existe uma reflexão desconfortável:

Muitos cristãos acreditam no poder de Deus, mas não acreditam completamente em Sua bondade.

Sabem que Ele pode fazer qualquer coisa.

Mas têm receio do que Ele possa permitir.

No fundo, não duvidam da força de Deus.

Duvidam do coração de Deus.

E essa dúvida silenciosa alimenta grande parte dos medos que carregam.

O Verdadeiro Campo de Batalha

O medo não é travado principalmente nas circunstâncias.

Ele é travado na confiança.

Quando a vida sai do controle, surge uma pergunta inevitável:

“Posso confiar em Deus mesmo sem entender o que Ele está fazendo?”

Essa é a pergunta que separa o medo da fé.

Porque fé não é acreditar que nada ruim acontecerá.

Fé é acreditar que Deus continua sendo bom quando coisas ruins acontecem.

Fé não é a certeza do caminho.

É a certeza da companhia.

Não é saber o futuro.

É conhecer Quem já está lá.

A Grande Ilusão do Controle

Grande parte da ansiedade contemporânea nasce de uma ilusão.

A ilusão de que, se nos preocuparmos o suficiente, conseguiremos controlar os resultados.

Mas preocupação nunca foi uma forma de governo.

É apenas uma forma de sofrimento antecipado.

O medo promete proteção.

Mas entrega prisão.

Promete segurança.

Mas entrega estagnação.

Promete sobrevivência.

Mas rouba a vida.

A Escolha Que Todos Precisamos Fazer

Em algum momento, todo cristão chega diante de uma decisão.

Não entre fé e dúvida.

Não entre coragem e medo.

Mas entre confiança e controle.

Porque o medo, em sua raiz mais profunda, é uma tentativa desesperada de manter o controle daquilo que pertence a Deus.

E é justamente por isso que a cura do medo não começa quando as circunstâncias mudam.

Ela começa quando decidimos confiar.

Mesmo sem respostas.

Mesmo sem garantias.

Mesmo sem compreender.

Quando o Medo Bate à Porta

Na próxima vez que o medo visitar sua mente, não pergunte primeiro:

“Como faço para me sentir melhor?”

Pergunte:

“O que Deus está me chamando para confiar?”

Talvez a resposta não seja uma nova estratégia.

Talvez não seja um novo plano.

Talvez não seja uma nova confirmação.

Talvez seja apenas uma palavra que atravessa toda a Bíblia, do início ao fim:

Confie.

Porque o oposto do medo não é a coragem.

O oposto do medo é a confiança.

E quando a confiança cresce, o medo perde seu trono.

“Mas eu, quando estiver com medo, confiarei em ti.” (Salmo 56:3)

No final, a questão não é se você sentirá medo.

A questão é quem conduzirá sua vida quando ele chegar.

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