O Pai que Corre

Lucas 13–15 – Um convite para enxergar Deus por ângulos que raramente consideramos

Há histórias que nos confrontam. Outras que nos abraçam. E algumas que fazem as duas coisas ao mesmo tempo. A parábola do Pai que corre — entrelaçada às cenas de cura, confronto e compaixão nos capítulos 13 a 15 de Lucas — é uma dessas histórias que não deveriam ser apenas lidas… mas sentidas.

Quando Deus derruba nossas teologias congeladas

Jesus cura uma mulher encurvada há dezoito anos bem no centro da sinagoga, no coração de um sábado. O líder religioso se irrita, não com a dor da mulher, mas com a quebra do “manual”.

Jesus expõe o absurdo:
“Vocês preferem a regra à vida. A forma ao coração.”

Religiões humanas criam cercas. Jesus insiste em abrir portas.

O escândalo de um Deus que lamenta por nós

Avisam Jesus: “Herodes quer te matar.”
Ele responde: “Eu vou a Jerusalém… porque é lá que um profeta deve morrer.”

E então Ele chora.
Chora pela cidade que rejeitou o aconchego de Suas asas.
Chora por um povo que prefere a independência ao amor.
Chora por quem não quer ser encontrado.

Deus não é indiferente à recusa humana.
Ele sente. Ele lamenta. Ele chama — mesmo para quem insiste em fugir.

O Deus que celebra o improvável

Jesus escandaliza os fariseus ao dizer que o céu entra em festa quando um pecador volta.
— Uma ovelha achada.
— Uma moeda encontrada.
— Um filho que retorna quebrado, mas retorna.

É como se Jesus dissesse:
“Vocês celebram performance. Meu Pai celebra arrependimento.”

E então… o Pai corre

Nenhuma frase deveria ser mais chocante do que esta:
“Vendo-o ainda longe, o pai correu ao seu encontro.”

Na cultura de Jesus, homens idosos não corriam. Era vergonhoso.
Pais não corriam ao encontro de filhos rebeldes. Isso era improdutivo.
Autoridades não davam o primeiro passo. Isso era indigno.

Mas Deus não cabe na categoria do “digno” segundo nossos padrões.
Ele corre.
Ele se expõe.
Ele se humilha.
Ele atravessa a estrada empoeirada antes mesmo que você consiga ensaiar o discurso do arrependimento.

O Pai corre porque a distância entre você e Ele é intolerável para o Seu amor.

O filho mais velho: o espelho incômodo

O filho mais velho não foge fisicamente, mas seu coração está tão distante quanto o do irmão caçula.
Ele cumpre ordens, mas não conhece o Pai.
Ele serve, mas não ama.
Ele trabalha duro, mas não entra na festa — porque prefere a justiça própria ao abraço.

Jesus revela algo perturbador:
Existe pecado no caminho da rebeldia, mas existe pecado também no caminho da arrogância religiosa.

E o Pai?
Ele sai da festa.
Ele convida o filho ressentido.
Ele insiste com os que nunca se acham perdidos.

O Pai corre para os dois.

O Pai que corre pela história inteira

Israel foi esse filho rebelde.
Deus permitiu o exílio porque ama demais para abençoar uma vida longe dEle.
Mas Ele também foi o Pai que trouxe de volta, que restaurou, que colocou o “anel” da aliança novamente no dedo de um povo quebrado.

A história de Lucas 15 não é ficção.
É autobiografia divina.
É Deus dizendo:
“Eu sei como é. Eu já fiz isso antes. E Eu continuo fazendo.”

Deus ainda corre.

Talvez você se veja como o filho que fugiu: cansado, estourado, envergonhado, com um discurso pronto para merecer ao menos um canto da casa.

Ou talvez você seja o filho mais velho: correto, firme… e profundamente distante.

Mas antes que termine qualquer frase, antes que você decida se é digno ou indigno, existe um Pai atravessando a estrada na sua direção — com pressa, com alegria, com lágrimas, com festa preparada.

Não importa o capítulo da sua vida:
Deus ainda corre.
E enquanto Ele corre, o céu inteiro prepara música.

A porta está aberta.
A mesa está posta.
O convite ainda está de pé.

Volte para casa.

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