Habitação Divina

Dizer que Deus está em todos os lugares é confortável. Quase poético. Uma verdade que não incomoda ninguém.
Mas a Bíblia nunca parou nessa afirmação.

Ela avança. E quando avança, nos tira do lugar comum.

Sim, o Senhor enche os céus e a terra. Não há canto do universo fora do seu alcance. Nenhuma sombra onde Sua presença não chegue. Porém, existe uma diferença profunda — e frequentemente ignorada — entre Deus estar presente e Deus habitar.

Presença fala de soberania.
Habitação fala de relacionamento.

Deus está no templo… mas também estava no mercado, no palácio de Faraó e até no ventre do peixe. Ainda assim, Ele só habita onde encontra espaço para permanecer, não apenas para passar.

Essa distinção desmonta uma espiritualidade superficial.
Porque é possível viver rodeado pela presença de Deus e, ao mesmo tempo, vazio de Sua habitação.

O Senhor não se instala em ambientes onde é apenas tolerado.
Ele não faz morada onde é invocado só em emergências, citado em slogans ou usado como pano de fundo para projetos pessoais. Deus não habita agendas cheias, nem corações divididos.

Na Escritura, Deus habita com os quebrantados, não com os satisfeitos.
Com os contritos, não com os autossuficientes.
Com os obedientes, não com os religiosos profissionais.

O lugar da habitação divina nunca foi um prédio em si, mas um povo disposto. Nunca foi a arquitetura, mas a atitude. Nunca foi o barulho do culto, mas o silêncio da rendição.

Talvez o maior escândalo espiritual do nosso tempo seja este:
falamos muito de um Deus que está em todo lugar, mas raramente perguntamos se Ele se sente em casa em nós.

Porque Deus até visita muitos…
mas só permanece onde é honrado.

A pergunta que fica não é teológica. É pessoal.
Se o Senhor passasse pela sua vida hoje, Ele encontraria apenas um espaço para passar…
ou um lugar para habitar?

2 Visitas totales
2 Visitantes únicos

Deixe um comentário