“Você crê que eu sou capaz de fazer isso?”
A pergunta de Jesus em Evangelho de Mateus 9:28 não foi dirigida a teólogos, nem a líderes religiosos. Foi dirigida a dois cegos. Homens que não viam o mundo — mas viam uma possibilidade.
Curioso: Jesus não perguntou se eles mereciam, se eram fiéis o suficiente, se tinham uma teologia impecável. Ele perguntou se criam na capacidade dEle.
E talvez essa seja a pergunta mais desconfortável que ainda ecoa hoje.
Não é sobre o tamanho do seu problema
Muitos de nós dizemos que cremos em Deus — mas vivemos como se Ele estivesse limitado às nossas estatísticas.
Oramos, mas já calculando a frustração.
Pedimos, mas com cláusulas de autoproteção.
Não duvidamos da existência de Deus.
Duvidamos da intervenção.
A fé que Jesus confronta não é intelectual — é existencial.
Não é “você acredita que eu existo?”, mas “você acredita que eu posso agir naquilo que parece impossível para você?”
A pergunta revela nossa imagem de Deus
Quando Jesus pergunta “Você crê que sou capaz?”, Ele está expondo algo mais profundo:
Que tipo de Deus você carrega na sua mente?
Um Deus conceitual?
Um Deus simbólico?
Um Deus inspirador, porém inoperante?
Muitos transformaram Deus em uma ideia bonita — mas inofensiva. Um conselheiro moral. Um terapeuta cósmico. Uma força motivacional.
Mas os cegos de Mateus 9 não estavam atrás de inspiração.
Eles queriam visão.
Fé não é negação da realidade
Os cegos não negaram sua condição. Eles a assumiram.
Fé bíblica não é fingir que está tudo bem. É reconhecer que não está — e ainda assim confiar.
A fé que move o coração de Cristo não é a que ignora a dor, mas a que insiste que a dor não tem a palavra final.
Há algo radical nessa pergunta:
Ela desloca o foco do problema para o poder.
O detalhe que poucos percebem
Jesus fez essa pergunta dentro da casa (Mateus 9:28).
Não foi no meio da multidão.
Antes do milagre público, houve um confronto privado.
Talvez muitos de nós estejamos esperando manifestações externas enquanto evitamos o exame interno.
Queremos mudança de circunstância, mas não permitimos que Cristo sonde nossa incredulidade silenciosa.
A fé começa no secreto.
A pergunta continua sendo feita
Hoje, ela não é dirigida apenas aos cegos físicos.
É dirigida aos ansiosos.
Aos que perderam a esperança.
Aos líderes cansados.
Aos que oram há anos pelo mesmo milagre.
Aos que pregam sobre poder, mas secretamente duvidam dele.
“Você crê que eu sou capaz de fazer isso?”
Capaz de restaurar um casamento?
Capaz de quebrar um ciclo de pecado?
Capaz de sustentar você em meio à perda?
Capaz de reconstruir algo que você mesmo destruiu?
O que está em jogo
A resposta dos cegos foi simples: “Sim, Senhor.”
Sem argumentação.
Sem currículo espiritual.
Sem garantias.
E então o texto diz que Jesus tocou os olhos deles e declarou:
“Seja-vos feito segundo a vossa fé.”
Não é manipulação espiritual.
É coerência espiritual.
A medida da nossa expectativa revela a medida da nossa confiança.
Talvez hoje a pergunta não seja se Deus pode.
A pergunta é se você realmente acredita que Ele pode no seu caso.
Porque fé genérica é confortável.
Fé pessoal é transformadora.
E enquanto continuamos debatendo doutrinas, Cristo continua perguntando, em voz baixa, porém incisiva:
Você crê que Eu sou capaz de fazer isso?