Vivemos obcecados por resultados visíveis. Métricas, números, curtidas, produtividade. Queremos o fruto antes da raiz, a colheita antes do plantio. Mas o Salmo 1:3 nos confronta com uma lógica que o mundo desaprendeu: a vida que permanece não é sustentada pelo que aparece, mas pelo que está profundamente enraizado.
O justo é comparado a uma árvore. Não uma árvore ornamental, dessas que impressionam pela estética, mas uma árvore plantada junto às correntes de águas. O detalhe é sutil, porém decisivo: ela não corre atrás da água; ela foi plantada perto dela. Há intenção, direção e permanência. Jeremias 17:8 reforça essa imagem ao dizer que essa árvore estende suas raízes para o ribeiro — raízes que ousam ir fundo, atravessar o solo duro, resistir ao invisível.
A maturidade espiritual acontece longe dos holofotes. Antes de existir fruto na estação certa, existe silêncio subterrâneo. Antes da folha que não murcha, há raízes aprendendo a beber quando ninguém está olhando. A fé que resiste ao calor não nasce da ausência de crises, mas da profundidade das conexões.
O texto não promete uma vida sem seca. Pelo contrário, Jeremias afirma que o calor vem, o ano de sequidão chega. A diferença não está no clima, mas na fonte. Quem depende das circunstâncias entra em pânico quando elas mudam. Quem depende do Senhor continua verde quando tudo ao redor perde a cor.
Talvez o maior engano da espiritualidade contemporânea seja confundir pressa com crescimento. Árvores não têm ansiedade. Elas não competem, não se comparam, não forçam frutos fora do tempo. Elas permanecem. E justamente por isso frutificam.
Este salmo não é sobre sucesso visível, mas sobre fidelidade silenciosa. Não é sobre impressionar, mas sobre permanecer. A pergunta provocativa que o texto nos impõe não é “o que você está produzindo?”, mas “em que fonte você está enraizado?”.
Porque, no fim, o fruto sempre denuncia a raiz. E a estação apenas revela aquilo que foi cultivado no escondido.