Ezequiel 18:21–23
Existe uma ideia silenciosa — e perigosamente popular — de que chega um ponto em que não há mais volta. Como se o histórico de erros pudesse selar o destino de alguém. Como se Deus fosse um contador frio, mais interessado em balanços morais do que em vidas restauradas.
Ezequiel desmonta essa mentira com poucas palavras e uma profundidade desconcertante:
“Se o perverso se converter de todos os seus pecados… certamente viverá; não morrerá.”
Isso não é linguagem poética para consolo emocional. É uma afirmação teológica radical.
Deus não está apaixonado pelo passado de ninguém
Deus não diz: “Se o perverso se explicar”, nem “se justificar”, nem mesmo “se compensar”. Diz: se converter. Converter-se é mais do que mudar de comportamento; é mudar de direção. É abandonar a rota antiga mesmo sem garantias visíveis de sucesso imediato.
E aqui está o detalhe menos comentado: Deus não demonstra nostalgia pelo pecado abandonado.
Ele afirma explicitamente que não se lembrará das transgressões passadas.
Nós lembramos.
A sociedade lembra.
As redes lembram.
Mas Deus, surpreendentemente, escolhe não lembrar.
O maior obstáculo à conversão não é o pecado, é o cinismo
Muitos não resistem a Deus por amor ao pecado, mas por desconfiança da graça. A pergunta escondida é: “Será que ainda funciona para mim?”
E Deus responde com outra pergunta, ainda mais provocativa:
“Acaso tenho eu prazer na morte do perverso?”
A conversão é possível porque Deus não tem prazer em condenar, mas em ver alguém viver. O juízo não é Seu hobby. A restauração é.
Conversão não é maquiagem moral
Deus não promete uma versão “melhorada” do mesmo coração. Ele fala de ruptura. De abandono. De uma virada real. Conversão bíblica não é autoaperfeiçoamento espiritual, é ressurreição ética. Algo morre. Algo nasce.
E o mais escandaloso:
isso pode acontecer hoje.
Não importa há quanto tempo alguém anda errado, nem quão sofisticada se tornou sua justificativa. O relógio da graça não funciona com o mesmo fuso da culpa.
Enquanto há vida, há chamado
Ezequiel 18 não oferece atalhos, mas oferece esperança. Uma esperança robusta, exigente e viva. Deus não negocia com o pecado, mas também não fecha a porta para o pecador.
Conversão ainda é possível.
Vida ainda é oferecida.
O convite ainda está de pé.
A pergunta que resta não é se Deus está disposto a receber —
mas se estamos dispostos a nos voltar.