As Sete Condições para Ver o Reino
“Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tendes vida em vós mesmos.”
(João 6:53)
Essas palavras de Jesus escandalizaram muitos — e ainda hoje continuam desconfortáveis. Porque Ele não estava falando de um ritual, mas de uma assimilação total: deixar de apenas crer em Cristo para viver d’Ele.
Comer e beber: o chamado à fusão, não à devoção distante
Jesus não convida o homem à admiração, mas à comunhão.
Não é o aplauso dos que o seguem de longe, mas o partilhar da própria essência. Comer Sua carne e beber Seu sangue é participar da Sua vida, não como espectadores, mas como quem permite que Ele se torne o oxigênio da alma.
O problema é que o cristianismo contemporâneo prefere provar sem se misturar, assistir sem se comprometer. Mas Cristo fala de uma união visceral — onde o limite entre Ele e nós se desfaz.
O escândalo da dependência total
A carne e o sangue são símbolos de vulnerabilidade e sacrifício.
E é exatamente aí que o Reino se revela: no lugar onde toda autossuficiência morre.
Enquanto o homem moderno clama por autonomia e autenticidade, o Evangelho exige o oposto: dependência e identificação.
Comer e beber Cristo é declarar:
“Sem Ti, não há nada em mim que viva.”
É recusar uma fé de superfície e mergulhar no mistério da graça que nos absorve por inteiro.
O altar dentro de nós
Cada vez que participamos d’Ele, um altar é erguido dentro de nós — e nesse altar, o nosso “eu” é o sacrifício.
A carne que comemos é a renúncia de nossa própria carne.
O sangue que bebemos é a entrega que nos despoja da ilusão de controle.
É uma ceia que não cabe em templos, porque acontece no invisível, onde o Espírito nos alimenta de Cristo em cada respiração, em cada decisão, em cada dor.
Vida que não é apenas biológica
“Não tendes vida em vós mesmos.”
A vida natural pulsa, mas não permanece. A vida espiritual — a que vem do Filho — é a única que vence o tempo e atravessa a morte.
Quem se alimenta de Cristo não apenas sobrevive: transcende.
A alma, nutrida por Ele, deixa de ser um corpo em movimento e se torna um templo em adoração.
A comunhão que revela o Reino
O Reino não é visto por olhos famintos de poder, mas por corações que se alimentam da presença.
A condição é clara: sem Cristo em nós, não há vida em nós.
Sem comer e beber do Filho, não há comunhão, nem luz, nem Reino.
Nos próximos posts, seguiremos desvendando as demais condições para ver o Reino de Deus — porque o Reino não é um prêmio reservado aos religiosos, mas uma realidade revelada aos que se deixam consumir e recriar por Cristo.