Vivemos na era do “depende”.
Depende do contexto.
Depende da intenção.
Depende da interpretação.
Depende da sua verdade.
Quase tudo virou negociável — valores, convicções, identidade, ética. O único pecado imperdoável hoje é afirmar que algo é absoluto.
Mas Jesus nunca teve medo dos absolutos.
Ele não disse: “Eu sou um dos caminhos.”
Ele disse: “Eu sou o caminho.”
Num mundo que celebra a ambiguidade, Ele foi direto. Num sistema religioso cheio de exceções convenientes, Ele reafirmou princípios inegociáveis.
E é exatamente isso que nos desconcerta.
A obsessão moderna por flexibilidade moral
O discurso contemporâneo idolatra a flexibilidade. Empresas flexibilizam valores para manter mercado. Pessoas flexibilizam caráter para manter reputação. Igrejas flexibilizam doutrina para manter público.
Chamamos isso de adaptação.
Mas muitas vezes é apenas medo de perder aceitação.
Absolutos criam tensão.
E ninguém quer tensão.
Só que a ausência de absolutos cria algo pior: vazio.
Sem absolutos, tudo vira utilitário
Se não existe verdade fixa, o que resta é conveniência.
Se não existe certo e errado objetivos, resta apenas vantagem.
Relacionamentos tornam-se estratégicos.
Fidelidade vira opção.
Integridade vira performance.
Quando tudo é relativo, o poder decide o que é “verdade”.
Jesus confrontou isso diretamente. Ele insistiu em padrões que não mudavam conforme a cultura. Amor ao próximo. Verdade no coração. Pureza de intenção. Fidelidade a Deus acima de qualquer outro senhor.
Ele não suavizou exigências para ganhar popularidade.
E perdeu seguidores por causa disso.
Absolutos não são rigidez. São estrutura.
Um prédio sem estrutura pode parecer moderno, aberto, fluido — até o dia em que desaba.
Absolutos são vigas invisíveis.
São o que sustenta quando a pressão aumenta.
A cultura diz: “Seja autêntico a si mesmo.”
Jesus diz: “Negue-se a si mesmo.”
A cultura diz: “Siga seu coração.”
Jesus diz: “Seu coração precisa ser transformado.”
A cultura diz: “Você merece.”
Jesus diz: “Sirva.”
Não há como harmonizar completamente essas duas visões. Uma delas sempre será confrontada.
O problema não é que não sabemos os absolutos. É que não queremos pagar o preço deles.
Absolutos custam:
- Custam aplauso.
- Custam oportunidades.
- Custam conforto.
- Custam status.
Mas a ausência deles custa identidade.
Quando você abre mão de convicções para caber no ambiente, pode até permanecer no sistema — mas deixa pedaços de si pelo caminho.
Jesus insistia nos absolutos porque sabia que eles libertam
A verdade absoluta não é uma prisão. É um norte.
Sem norte, você gira.
Com norte, você caminha.
Ele insistiu na exclusividade do Reino.
Insistiu na prioridade de Deus.
Insistiu na impossibilidade de servir a dois senhores.
Insistiu que nem tudo que parece vida é, de fato, vida.
E essa insistência não era arrogância — era amor.
Porque líderes que relativizam tudo criam seguidores confusos.
Líderes que afirmam absolutos criam pessoas firmes.
Em que você tem relativizado?
Essa é a pergunta incômoda.
Você ajustou sua fé para caber no ambiente profissional?
Suavizou convicções para evitar conflito?
Silenciou verdades para manter relações?
Talvez você não tenha abandonado a fé.
Talvez só tenha diluído.
O paradoxo final
O mundo chama absolutos de opressão.
Mas é a falta deles que nos escraviza ao humor da cultura.
Jesus não negociou princípios — e foi crucificado.
Mas também não os abandonou — e ressuscitou.
A questão não é se absolutos gerarão oposição.
Eles gerarão.
A questão é:
você prefere a aprovação temporária da cultura ou a estabilidade eterna da verdade?
Quando tudo é relativo, nada é sólido.
Quando Cristo é absoluto, tudo encontra lugar.
Insistir nos absolutos não é ser inflexível.
É escolher um fundamento que não muda — mesmo quando o mundo muda a cada semana.