Fora da zona Segura

Existe uma ideia confortável — e perigosa — de soberania divina: a de que Deus governa apenas quando tudo faz sentido. Quando o mar se abre. Quando o milagre é limpo, rápido e instagramável. Mas Êxodo 7:5 nos empurra para fora dessa zona segura.

“E os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando estender a mão sobre o Egito…”

Deus não diz se estender a mão. Ele diz quando. A história não está em suspense. Ela está em processo.

A soberania de Deus, aqui, não aparece como consolo imediato, mas como confronto. O Egito não aprenderia quem Deus é por meio de uma pregação elegante, mas por meio do colapso das estruturas nas quais confiava. O Nilo — fonte de vida — se tornaria sinal de juízo. A natureza, que parecia neutra, revela-se obediente. O império, que parecia eterno, mostra-se frágil.

Isso nos provoca, porque gostamos de um Deus que governa sem desorganizar nossos sistemas. Um Deus soberano, mas discreto. Poderoso, desde que não mexa nos nossos “rios”, nas nossas seguranças, nos nossos faraós pessoais.

Êxodo 7:5 expõe uma verdade desconfortável: Deus controla a história inclusive quando ela parece estar indo na direção errada. Inclusive quando a resistência aumenta. Inclusive quando o coração endurece — não como falha do plano, mas como parte do palco onde Sua glória será revelada.

A soberania divina não é Deus reagindo aos eventos. É Deus usando eventos — até os mais caóticos — para revelar quem Ele é. A história não corre solta esperando Deus intervir; ela já está sob Sua mão, mesmo quando não percebemos.

E talvez a pergunta mais provocativa do texto não seja “onde está Deus?”, mas: o que precisa ruir para que saibamos quem Ele é?

Porque, no Êxodo, Deus não prova Sua soberania salvando Israel apenas; Ele a prova desmascarando o Egito. E, muitas vezes, o que chamamos de crise é o momento em que Deus está retirando o verniz da falsa estabilidade.

A soberania divina não é um conceito para ser domesticado. É uma realidade que nos desinstala. Ela afirma que nem a natureza, nem a política, nem a história pertencem ao acaso — pertencem ao Senhor.

E isso muda tudo.
Não porque entendemos os caminhos,
mas porque sabemos Quem os governa.

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