Espiritualidade Condicional

Há perguntas que não nascem da curiosidade, mas do cansaço.
Não são filosóficas — são existenciais.
“Está o Senhor entre nós, ou não?” não é um debate teológico elegante; é o grito cru de quem caminha há tempo demais sem água visível.

O problema é que essa pergunta raramente surge quando Deus está em silêncio absoluto.
Ela surge quando Deus já falou, já agiu, já prometeu — mas não do jeito, no tempo ou na forma que esperávamos.

A fé que só crê quando sente

Existe um tipo de fé muito comum — e pouco confessada — que só acredita quando sente.
Enquanto há sinais, respostas rápidas, portas se abrindo, tudo parece resolvido. Mas basta o deserto se alongar para a pergunta emergir:

“Se Deus está mesmo aqui, por que ainda dói?”

Essa pergunta revela algo incômodo:
não estamos questionando a presença de Deus,
estamos negociando os termos da Sua fidelidade.

O perigo da espiritualidade condicional

“Se Deus está comigo, então…”
– então não faltará
– então não haverá atrasos
– então não haverá tensão

Mas o Deus bíblico nunca prometeu ausência de desertos.
Ele prometeu presença no meio deles.

A fé madura não pergunta se Deus está presente apenas quando há conforto.
Ela aprende a discernir a presença divina quando não há aplausos, nem explicações, nem atalhos.

Quando a pergunta vira acusação

“Está o Senhor entre nós, ou não?”
pode soar inocente, mas carrega uma acusação silenciosa:
“Se Ele estivesse, isso não estaria acontecendo.”

Aqui está a virada provocativa:
talvez Deus esteja mais presente agora, no desconforto,
do que estava nos dias de facilidade que nos tornaram autossuficientes.

A presença que não se prova, se confia

Deus não se submete a testes emocionais.
Ele não precisa se provar a cada crise.
A pergunta não expõe a ausência de Deus — expõe a nossa dificuldade em confiar quando não controlamos o cenário.

A presença do Senhor não é validada pela sensação,
mas pela aliança.
Não pelo que vemos,
mas por Quem prometeu.

A fé que atravessa o deserto

Talvez a pergunta mais honesta não seja
“Está o Senhor entre nós, ou não?”,
mas:

Estamos dispostos a continuar caminhando mesmo quando não O percebemos?
Confiamos mais no que Deus disse ou no que estamos sentindo agora?

Porque, no fim, a fé que atravessa o deserto não é a que exige provas —
é a que aprende a descansar na fidelidade de um Deus que permanece,
mesmo quando o silêncio parece mais alto que a promessa.

E isso muda tudo.

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