Há momentos na vida em que tudo parece pesado demais. As doenças que não explicamos, as pressões que não verbalizamos, os pecados que tentamos esconder, os medos que não ousamos confessar. E é justamente nesses lugares — onde a humanidade revela suas rachaduras — que Jesus decide caminhar. Nada mais distante da imagem de um Messias intocável; Ele mergulha no tumulto, toca o intocável e enfrenta aquilo que o mundo inteiro foge.
Quando Deus desce da montanha
Jesus não permanece no alto, longe da poeira e da dor. Ele desce.
E, ao descer, encontra:
• um leproso que não sabia se Deus queria curá-lo;
• um centurião convencido de que Jesus podia curar sem nem sequer estar presente;
• uma sogra febril;
• discípulos que tremiam mais que a tempestade;
• endemoninhados mergulhados em trevas;
• um paralítico que carregava no corpo e na alma pecados que ele não podia apagar.
A cada encontro, Jesus não apenas resolve problemas; Ele revela o coração do Pai.
Ele não veio mostrar como viver melhor — Ele veio mostrar quem Deus é.
Escândalo: Ele toca os que ninguém tocaria
Quando perguntaram por que Ele se misturava com quem tinha fama ruim, Jesus não se envergonhou da resposta:
“Não vim para os sãos. Vim para os doentes.”
O escândalo não era a miséria das pessoas — mas a misericórdia de Cristo.
Uma mulher impura o tocou em meio à multidão… e foi curada.
Uma menina morta foi chamada de volta pela voz daquele que criou o fôlego.
Cegos enxergaram. Mudos falaram.
E o mundo percebeu: o Reino de Deus não é teoria — é intervenção.
E quando até João Batista duvida?
João, o profeta do deserto, está preso.
Aquele que anunciou o Cordeiro começa a se perguntar: “Será que eu entendi errado?”
Jesus não apenas responde. Ele honra João.
E ainda revela algo surpreendente:
quem pertence ao reino da nova aliança é ainda mais privilegiado do que os maiores profetas do passado.
Não porque mereça — mas porque foi alcançado.
O Coração do Rei
Jesus reina sobre tudo o que nos ameaça:
- Sobre o reino espiritual — demônios obedecem à sua voz.
- Sobre o reino físico — doenças, febres, tempestades e até a morte se curvam.
- Sobre o reino moral — Ele perdoa o que ninguém pode apagar.
Mas a pergunta que ecoa é a mesma do leproso:
“Eu sei que o Senhor pode… mas o Senhor quer?”
A resposta de Jesus atravessa séculos:
“Quero. Seja purificado.”
(Mateus 8:3)
Ele não é apenas Todo-Poderoso.
Ele é totalmente bom.
E nossos corações nunca estão mais protegidos do que quando se entregam ao toque do Deus que desce da montanha para nos restaurar.
A palavra que levanta mortos
Jesus olha para o paralítico e diz:
“Levante-se.” (Mateus 9:6)
Esta é — curiosamente — a palavra predileta de Jesus quando cura alguém.
No original, ela carrega o sentido de ressurreição, erguer-se, voltar à vida.
O que Ele faz com corpos frágeis é exatamente o que faz com almas cansadas.
Onde todos veem fim, Ele anuncia começo.
Onde todos veem queda, Ele ordena:
“Levante-se.”
Talvez hoje essa seja a palavra que o Rei esteja falando sobre você.
O Todo-Poderoso ainda é o Todo-Bom.
Ainda desce da montanha.
Ainda toca o intocável.
Ainda confronta as trevas.
Ainda restaura histórias.
Ainda levanta mortos.
Que você escute a voz do Rei que reina — e reina bem.
E que essa voz seja o ponto de ressurreição do seu dia. Amém.