Há pessoas que passam a vida tentando gostar de si mesmas.
Outras passam a vida tentando tornar-se alguém de quem finalmente possam gostar.
Ambas permanecem diante do mesmo tribunal: o espelho.
O espelho pode estar pendurado no banheiro, mas também pode assumir outras formas. Pode ser a opinião dos pais, a aprovação do cônjuge, o desempenho profissional, o número de seguidores, a aparência do corpo, o reconhecimento da igreja ou a comparação silenciosa com pessoas da mesma idade.
Todos os dias perguntamos a esses espelhos:
“Tenho valor?”
“Sou suficiente?”
“Estou atrasado?”
“Sou desejável?”
“Sou importante?”
“Existe algo em mim que mereça ser amado?”
A cultura contemporânea oferece uma resposta aparentemente libertadora:
“Aprove a si mesmo.”
Olhe-se nos olhos.
Declare sua grandeza.
Afirme seu valor.
Rejeite qualquer pensamento que o faça sentir-se inadequado.
Repita que merece tudo de bom.
Essa proposta parece ser o oposto da insegurança, mas pode conservar o mesmo problema em outra forma. Antes, dependíamos da aprovação das pessoas. Agora, somos instruídos a depender de nossa própria aprovação.
Mudou o juiz, mas o tribunal continua funcionando.
O evangelho anuncia algo mais radical: você não precisa passar a vida tentando conquistar aprovação, nem mesmo a sua.
Em Cristo, a identidade deixa de ser uma sentença que pronunciamos sobre nós mesmos e passa a ser um presente recebido de Deus.
O problema não é apenas pensar mal de si
É comum acreditar que existem apenas duas maneiras de uma pessoa relacionar-se consigo mesma.
Ela pode pensar mal de si ou pensar bem de si.
Pode possuir baixa autoestima ou autoestima elevada.
Pode sentir-se inferior ou considerar-se extraordinária.
A Bíblia, porém, não organiza a identidade humana apenas nessa escala.
Uma pessoa pode falar muito bem de si e continuar profundamente escravizada ao próprio ego. Pode admirar sua aparência, reconhecer seus talentos, celebrar suas conquistas e ainda depender desesperadamente de aplausos.
Da mesma maneira, alguém pode falar mal de si e permanecer igualmente concentrado no próprio ego.
“Sou o pior.”
“Nunca faço nada direito.”
“Ninguém sofre como eu.”
“Sou um fracasso completo.”
Essas frases parecem humildes, mas nem sempre são humildade. Algumas vezes são uma forma dolorosa de autocentralidade.
O orgulho diz:
“Todos precisam reconhecer minha grandeza.”
O autodesprezo diz:
“Todos precisam reconhecer minha desgraça.”
Nos dois casos, o “eu” permanece ocupando o centro do palco.
A pessoa orgulhosa entra em uma sala perguntando silenciosamente:
“Todos perceberam minha presença?”
A pessoa dominada pela inferioridade entra perguntando:
“Todos perceberam meus defeitos?”
Ambas estão excessivamente conscientes de si.
Isso não significa que feridas emocionais, humilhações, abusos ou rejeições sejam irrelevantes. Pessoas podem carregar marcas profundas produzidas pelas palavras e ações de outros. Essas feridas precisam ser acolhidas com verdade, compaixão, justiça e, muitas vezes, ajuda pastoral ou profissional.
Entretanto, a cura cristã não consiste apenas em substituir uma obsessão negativa consigo mesmo por uma obsessão positiva.
Liberdade não é passar de “eu me odeio” para “eu me admiro continuamente”.
Liberdade é já não precisar fazer do próprio “eu” o assunto central de todas as coisas.
Autodesprezo não é santidade
Alguns cristãos desconfiam de qualquer conversa sobre autoestima.
Eles citam o chamado de Jesus para negar a si mesmo e concluem que quanto pior uma pessoa se sentir a respeito de si, mais espiritual será.
Mas negar a si mesmo não é odiar a si mesmo.
Jesus não ordenou que seus discípulos negassem sua dignidade, sua humanidade ou o fato de terem sido criados à imagem de Deus. Ele ordenou que negassem ao ego o direito de governar.
Negar a si mesmo é renunciar à pretensão de ser o centro, o senhor e o salvador da própria existência.
É possível desprezar-se e ainda ser governado pelo ego.
Há pessoas que recusam oportunidades não por humildade, mas porque têm medo de falhar. Dizem que não possuem talento para evitar a responsabilidade de desenvolvê-lo. Rejeitam elogios porque não sabem recebê-los sem suspeita. Chamam sua insegurança de modéstia e sua passividade de mansidão.
O autodesprezo pode parecer espiritual porque utiliza uma linguagem de pequenez. Porém, quando nos impede de obedecer, servir, criar, falar a verdade ou exercer os dons recebidos, ele deixa de ser humildade e transforma-se em desobediência.
Moisés tentou recusar seu chamado alegando incapacidade. Perguntou quem era para enfrentar Faraó, mencionou suas limitações e pediu que Deus enviasse outra pessoa.
Deus não respondeu fortalecendo a autoestima de Moisés com uma lista de qualidades pessoais.
Também não concordou com sua fuga.
Sua resposta foi:
“Eu estarei com você.”
Essa é a base bíblica da confiança.
Não é acreditar que possuímos em nós mesmos tudo de que precisamos.
É saber que nossa insuficiência não é maior do que a presença daquele que nos chama.
Autoaprovação também não é salvação
Se o desprezo por si mesmo pode adoecer a alma, a autoaprovação irrestrita também pode.
Existe uma mensagem contemporânea segundo a qual devemos aceitar tudo em nós, proteger nossa paz de qualquer confronto e afastar todas as pessoas que questionem nossas decisões.
Nesse modelo, todo desconforto é chamado de toxicidade.
Toda correção parece agressão.
Todo limite parece rejeição.
Todo chamado ao arrependimento parece uma ameaça à autoestima.
Contudo, uma identidade que precisa eliminar qualquer crítica para sobreviver não é saudável. É frágil.
A Bíblia não nos chama a aprovar tudo aquilo que encontramos dentro de nós. Ela nos chama a examinar o coração.
Davi orou:
“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração.”
Ele não pediu apenas conforto. Pediu revelação.
O evangelho não diz que todos os nossos desejos são bons, que toda percepção sobre nós mesmos é correta ou que qualquer escolha se torna legítima apenas porque é autêntica.
Podemos ser sinceros e estar errados.
Podemos agir de acordo com nossos sentimentos e ferir pessoas.
Podemos chamar egoísmo de autocuidado.
Podemos chamar fuga de preservação emocional.
Podemos chamar orgulho de amor-próprio.
Podemos chamar irresponsabilidade de respeito aos próprios limites.
A autoaprovação não pode ser nosso critério final porque o coração humano não é infalível.
Há coisas em nós que precisam ser acolhidas.
Há coisas que precisam ser curadas.
Há coisas que precisam ser desenvolvidas.
E há coisas que precisam morrer.
A cruz não foi erguida para confirmar que tudo em nós já estava bem. Foi erguida porque o pecado era tão grave que exigiu a morte do Filho de Deus.
Ao mesmo tempo, a cruz declara que somos tão amados que o Filho entregou-se para nos resgatar.
O Calvário destrói tanto o orgulho quanto o autodesprezo.
Não somos bons o suficiente para dispensar a graça.
Não somos ruins o suficiente para estar além do alcance dela.
Somos imagem, queda e redenção
Uma visão bíblica da identidade precisa manter três verdades juntas.
Fomos criados à imagem de Deus
Nossa dignidade não nasce de nossa aparência, inteligência, produtividade, utilidade social ou capacidade de conquistar admiração.
Ela começa no Criador.
Antes de realizar qualquer tarefa, alcançar qualquer resultado ou receber qualquer elogio, o ser humano já possuía valor porque havia sido criado à imagem de Deus.
Isso significa que ninguém precisa provar que merece ser tratado com dignidade.
O bebê, o idoso, a pessoa com deficiência, o desempregado, o desconhecido e aquele que não pode oferecer vantagem alguma continuam carregando uma dignidade que não depende do mercado, da beleza ou do desempenho.
Nosso valor não aumenta quando somos aplaudidos.
Também não desaparece quando somos ignorados.
Fomos atingidos pela queda
Ser imagem de Deus não significa ser moralmente perfeito.
Carregamos dignidade, mas também corrupção.
Somos capazes de amar e manipular.
Criar e destruir.
Servir e explorar.
Falar a verdade e construir versões convenientes dela.
Por isso, o cristianismo não permite que transformemos amor-próprio em inocência presumida.
Nem todo problema da nossa vida foi causado por outras pessoas.
Nem toda crítica é perseguição.
Nem toda culpa é tóxica.
Às vezes, sentimo-nos culpados porque somos culpados.
Nesse caso, a solução não é repetir que somos maravilhosos. É confessar, arrepender-nos, reparar aquilo que for possível e receber perdão.
Somos reconstruídos em Cristo
O evangelho não termina na criação nem na queda.
Em Cristo, pecadores recebem uma nova identidade.
São justificados, adotados, reconciliados e unidos ao Filho.
Isso significa que nossa identidade não pode ser reduzida ao melhor ou ao pior momento de nossa história.
Não somos apenas aquilo que fizeram conosco.
Não somos apenas aquilo que fizemos.
Não somos apenas nossos traumas.
Não somos apenas nossos erros.
Não somos apenas nossos talentos.
Somos pessoas que, pela graça, estão sendo recriadas à imagem de Cristo.
A identidade cristã reúne dignidade sem arrogância, arrependimento sem desespero e confiança sem autossuficiência.
O bebê não é o centro do universo
É verdade que crianças pequenas se expressam com liberdade. Choram quando sentem fome, demonstram alegria sem constrangimento e não constroem sua identidade comparando currículos.
Há algo que adultos cansados podem reaprender com essa espontaneidade.
Entretanto, a confiança de uma criança não está em acreditar que possui controle sobre tudo.
Está em depender.
Uma criança não sobrevive porque aprovou a si mesma. Sobrevive porque alguém a acolheu, alimentou, protegeu e respondeu ao seu choro.
Jesus apresentou as crianças como imagens da maneira pela qual o Reino deve ser recebido. Não porque crianças sejam autossuficientes, mas porque recebem aquilo que não poderiam conquistar.
Essa é uma diferença decisiva.
A cultura da autoestima frequentemente diz:
“Reconheça que você é suficiente.”
A imagem bíblica da criança diz:
“Reconheça que você é dependente e pode receber.”
A maturidade cristã não é o retorno à fantasia infantil de que somos o centro do universo. É a recuperação da confiança de que somos cuidados mesmo sem sermos o centro.
A criança saudável não precisa governar a casa para saber que pertence a ela.
O cristão também não precisa controlar o universo para descansar no cuidado do Pai.
O espelho da cultura e o espelho das Escrituras
Vivemos cercados por espelhos.
As redes sociais funcionam como espelhos públicos. Publicamos uma imagem e aguardamos que outras pessoas nos devolvam uma interpretação.
Curtidas dizem que fomos vistos.
Comentários confirmam que ainda somos relevantes.
Silêncios parecem rejeição.
Enquanto isso, algoritmos nos apresentam pessoas com corpos, casas, ministérios, viagens, carreiras e famílias aparentemente melhores.
A comparação transforma a vida alheia em acusação contra a nossa.
O problema é que esses espelhos são deformados.
Vemos a edição dos outros e comparamos com nossos bastidores.
Vemos o resultado, mas não o processo.
Vemos a fotografia, mas não o conflito que aconteceu minutos antes.
Vemos a conquista, mas não os privilégios, as perdas ou os anos de preparação envolvidos.
A Bíblia também utiliza a imagem do espelho, mas de maneira diferente.
Em Tiago, o espelho revela aquilo que precisa ser corrigido. A pessoa contempla o rosto, afasta-se e esquece o que viu. A Palavra não serve apenas para produzir admiração; serve para mostrar a verdade e convocar à prática.
Em 2 Coríntios, contemplamos a glória do Senhor e somos transformados em sua imagem.
Perceba a mudança de direção.
No espelho da cultura, olhamos para nós mesmos e perguntamos:
“Como posso tornar minha imagem mais admirável?”
No espelho do evangelho, contemplamos Cristo e perguntamos:
“Como minha vida pode tornar-se mais semelhante à dele?”
O objetivo não é apaixonar-se pelo próprio reflexo.
É ser transformado pela glória daquele que contemplamos.
A identidade não é encontrada dentro de nós
A cultura moderna frequentemente nos aconselha a olhar para dentro e descobrir quem realmente somos.
Mas o interior humano não é um lugar silencioso e coerente.
Dentro de nós existem desejos contraditórios, memórias confusas, medos antigos, impulsos egoístas, sonhos legítimos, feridas abertas e vozes aprendidas.
Qual dessas vozes representa nosso “verdadeiro eu”?
O desejo mais intenso?
A emoção mais recente?
A versão infantil de nós mesmos?
A ambição que nunca contamos a ninguém?
A Bíblia não nos manda cavar indefinidamente dentro do ego até encontrarmos uma essência pura.
Ela nos chama para fora de nós mesmos.
Nossa identidade é recebida em um relacionamento.
Sabemos quem somos quando descobrimos a quem pertencemos.
Paulo não dizia apenas:
“Conheço a mim mesmo.”
Ele dizia:
“Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.”
Isso não significa a destruição da personalidade. Paulo continuou sendo Paulo, com sua história, inteligência, temperamento e vocação.
Mas o centro de sua existência havia mudado.
Ele não precisava mais produzir uma identidade autônoma. Sua vida estava ligada a Cristo.
A pergunta cristã mais importante não é:
“Eu gosto de mim?”
É:
“A quem pertenço?”
Quando essa pergunta é respondida, começamos a relacionar-nos conosco de maneira mais sóbria.
Podemos reconhecer qualidades sem transformá-las em ídolos.
Podemos admitir limitações sem transformá-las em sentenças.
Podemos confessar pecados sem concluir que não existe esperança.
Podemos receber elogios sem precisar viver deles.
Podemos suportar críticas sem permitir que definam nossa identidade inteira.
A opinião dos outros não é soberana, mas também não é inútil
A busca por autoestima costuma ensinar que o que os outros dizem não importa. Apenas aquilo que escolhemos acreditar sobre nós mesmos seria relevante.
Essa afirmação contém uma verdade e um perigo.
A verdade é que nenhuma opinião humana deve possuir autoridade absoluta sobre nossa identidade.
Pessoas podem interpretar-nos de maneira injusta.
Pais podem pronunciar palavras cruéis.
Líderes podem utilizar culpa para controlar.
Relacionamentos abusivos podem deformar profundamente a percepção que temos de nós mesmos.
Nesses casos, precisamos aprender a rejeitar sentenças que não correspondem à verdade de Deus.
Entretanto, dizer que a opinião alheia nunca importa pode transformar-se em uma maneira de evitar correção.
Deus frequentemente utiliza outras pessoas para mostrar aquilo que não conseguimos enxergar.
Um amigo pode perceber nossa arrogância.
Um cônjuge pode revelar nossa falta de escuta.
Uma comunidade pode confrontar hábitos egoístas.
Um irmão maduro pode identificar uma incoerência entre aquilo que pregamos e aquilo que praticamos.
Nem toda crítica merece ser aceita.
Mas toda crítica merece ser examinada.
A pessoa livre não é aquela que ignora todas as vozes. É aquela que sabe submetê-las à verdade.
Ela pergunta:
“Isso foi dito para me controlar ou para me ajudar?”
“Existe algum fato concreto por trás dessa afirmação?”
“Outras pessoas maduras já perceberam o mesmo?”
“Essa crítica me conduz à vergonha paralisante ou ao arrependimento responsável?”
“Estou rejeitando a mensagem apenas porque ela fere meu orgulho?”
A segurança em Cristo não nos torna imunes à correção.
Torna-nos capazes de recebê-la sem sermos destruídos.
Não existe condenação, mas existe transformação
Romanos 8 começa com uma das declarações mais libertadoras das Escrituras:
“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.”
Nenhuma condenação.
Isso significa que, em Cristo, o veredito definitivo já foi pronunciado. O pecado foi julgado na cruz. O crente não vive tentando convencer Deus a tolerá-lo.
Mas ausência de condenação não significa ausência de correção.
O mesmo Deus que nos recebe também nos transforma.
A graça não diz:
“Permaneça exatamente como está porque qualquer mudança seria uma rejeição de sua identidade.”
A graça diz:
“Você foi recebido sem mérito; agora pode abandonar aquilo que o destrói sem medo de perder o amor do Pai.”
A condenação diz:
“Você errou; portanto, não possui valor.”
A convicção do Espírito diz:
“Você errou; portanto, venha para a luz, confesse e seja restaurado.”
A condenação ataca a identidade inteira.
A convicção identifica o pecado.
A condenação produz esconderijo.
A convicção produz arrependimento.
A condenação afirma que não há saída.
A convicção aponta para a cruz.
Quem depende da autoaprovação precisa negar seus erros para preservar a própria imagem.
Quem descansa na justificação de Cristo pode admitir seus erros porque sua esperança não depende de parecer inocente.
Você não precisa provar que merece existir
Grande parte da ansiedade contemporânea nasce de uma tentativa permanente de justificar a própria existência.
Precisamos mostrar que somos úteis.
Produtivos.
Interessantes.
Desejados.
Espirituais.
Bem-sucedidos.
Felizes.
Até o descanso precisa ser fotografado para parecer produtivo.
A vida transforma-se em uma defesa contínua diante de um tribunal invisível.
Mas o evangelho declara que nossa existência não precisa ser justificada por desempenho.
Em Cristo, não trabalhamos para tornar-nos filhos.
Trabalhamos porque fomos recebidos como filhos.
Não servimos para conquistar valor.
Servimos porque o valor recebido nos liberta da necessidade de usar pessoas como degraus.
Não buscamos santidade para convencer Deus a amar-nos.
Buscamos santidade porque fomos alcançados por um amor que não deseja deixar-nos escravizados.
Isso muda a maneira como lidamos com o fracasso.
Quando o desempenho é nossa identidade, errar significa deixar de existir simbolicamente.
Por isso escondemos, culpamos, manipulamos números, fabricamos aparências e atacamos quem ameaça nossa reputação.
Quando Cristo é nossa identidade, o fracasso continua doloroso, mas não possui autoridade para pronunciar a sentença final.
Podemos aprender.
Podemos reparar.
Podemos recomeçar.
Podemos ser pequenos sem desaparecer.
Uma autoestima crucificada
Talvez a expressão “autoestima crucificada” pareça contraditória.
Mas ela descreve uma identidade que passou pela cruz.
Nela, o ego deixa de exigir adoração, mas a pessoa também deixa de aceitar desprezo.
Ela não precisa considerar-se extraordinária para saber que possui dignidade.
Não precisa fingir perfeição para saber que é amada.
Não precisa vencer todas as discussões para preservar valor.
Não precisa diminuir outras pessoas para sentir-se grande.
Não precisa diminuir a si mesma para parecer humilde.
Uma autoestima crucificada consegue dizer:
“Possuo dons, mas eles foram recebidos.”
“Possuo limitações, mas elas não anulam minha dignidade.”
“Cometi pecados, mas existe perdão.”
“Fui ferido, mas minha ferida não é meu nome.”
“Preciso mudar, mas não preciso odiar-me para mudar.”
“Não sou o centro da história, mas fui incluído nela pela graça.”
“Não sou autossuficiente, mas não estou abandonado.”
Essa identidade não nasce de repetir que somos magníficos.
Nasce de contemplar um Salvador magnífico.
Uma nova confissão diante do espelho
Em vez de usar o espelho para construir uma divindade particular, podemos utilizá-lo como um lembrete da graça.
Ao olhar para si, não é necessário dizer:
“Sou perfeito.”
Você não é.
Também não precisa dizer:
“Sou desprezível.”
Essa não é toda a verdade.
Pode confessar:
“Fui criado à imagem de Deus.”
Minha dignidade não depende do meu desempenho.
“Fui atingido pelo pecado.”
Não preciso defender tudo em mim.
“Fui alcançado pela graça.”
Meu passado não possui a palavra final.
“Fui unido a Cristo.”
Minha identidade não precisa ser inventada diariamente.
“Estou sendo transformado.”
Ainda não sou tudo aquilo que serei.
“Meu corpo é criatura, não produto.”
Posso cuidar dele sem adorá-lo nem odiá-lo.
“Meus dons são presentes, não provas de superioridade.”
Posso desenvolvê-los para servir.
“Meus limites não são vergonha.”
Não fui criado para ocupar o lugar de Deus.
“Não há condenação para os que estão em Cristo.”
Posso confessar pecados sem fugir.
“Pertenço ao Pai.”
Não preciso justificar minha existência diante de todos.