Santa Indignação

Existe uma pergunta que quase ninguém faz quando sente raiva:

“Por que isso me incomoda tanto?”

Normalmente fazemos o contrário.

Tentamos controlar a indignação.

Silenciar o desconforto.

Distrair a mente.

Voltar à programação normal.

Mas e se algumas indignações não forem defeitos emocionais?

E se forem sinais?

Aquilo que desperta sua indignação pode revelar algo que Deus o chamou para corrigir.

Não toda raiva.

Mas aquela indignação persistente, profunda e impossível de ignorar.

A Geração Que Reclama de Tudo

Nunca foi tão fácil expressar indignação.

Um comentário.

Um post.

Um vídeo.

Uma hashtag.

Vivemos cercados por pessoas revoltadas com tudo.

Política.

Economia.

Religião.

Cultura.

Família.

Igreja.

Sociedade.

Mas existe uma diferença entre indignação e transformação.

A maioria das pessoas usa sua raiva para produzir opinião.

Poucas usam sua raiva para produzir mudança.

O problema não é sentir indignação.

O problema é transformá-la em entretenimento.

O Que Faz Seu Sangue Ferver?

Pense por um momento.

O que mais o incomoda?

A superficialidade espiritual?

A corrupção?

A pobreza?

O abandono de idosos?

A banalização da família?

A violência?

A solidão da nova geração?

A manipulação religiosa?

A injustiça?

Por que algumas pessoas conseguem observar essas coisas com absoluta indiferença enquanto você não consegue?

Talvez porque aquilo que você vê como um incômodo seja, na verdade, um chamado.

Nem todo mundo enxerga o mesmo problema da mesma forma.

Porque Deus distribui sensibilidades diferentes para missões diferentes.

Moisés Não Estava Apenas Bravo

Quando Moisés viu um hebreu sendo maltratado por um egípcio, sua reação foi intensa. Aquela cena despertou algo dentro dele que outros poderiam ignorar.

Anos depois entendemos o motivo.

Ele não era apenas um observador.

Era um libertador em formação.

A indignação revelou uma direção.

A raiva apontava para o propósito.

Isso acontece repetidamente na Bíblia.

Neemias viu os muros destruídos.

Jeremias viu uma nação rebelde.

Amós viu injustiça social.

João Batista viu hipocrisia religiosa.

Jesus viu um templo transformado em mercado.

Todos reagiram.

Todos se levantaram.

Todos foram movidos por algo que não conseguiam tolerar.

Nem Toda Paz Vem de Deus

Essa afirmação pode parecer estranha.

Mas existe uma paz que nasce da maturidade.

E existe uma paz que nasce da acomodação.

Há pessoas que chamam de equilíbrio aquilo que, na verdade, é indiferença.

Não se incomodam com nada.

Não lutam por nada.

Não defendem nada.

Não transformam nada.

A tranquilidade delas não vem da fé.

Vem da anestesia.

A Bíblia não apresenta homens e mulheres de Deus como pessoas emocionalmente neutras.

Ela apresenta pessoas profundamente movidas por aquilo que move o coração de Deus.

A Igreja Corre o Risco de Perder Sua Santa Indignação

Talvez um dos maiores perigos do cristianismo moderno não seja a perseguição.

Talvez seja a acomodação.

Nos acostumamos.

Nos acostumamos com o vazio espiritual.

Nos acostumamos com a destruição familiar.

Nos acostumamos com a desigualdade.

Nos acostumamos com a injustiça.

Nos acostumamos com pessoas vivendo sem esperança.

Nos acostumamos com igrejas cheias e corações vazios.

E aquilo que deveria gerar lágrimas passa a gerar apenas estatísticas.

O problema nunca foi a existência do mal.

O problema é quando o povo de Deus deixa de se incomodar com ele.

Sua Dor Pode Ser Seu Campo Missionário

Existe algo fascinante no Reino.

Frequentemente Deus usa aquilo que mais nos incomoda como direção para aquilo que devemos construir.

A pessoa incomodada com ignorância pode se tornar professora.

A incomodada com sofrimento pode se tornar missionária.

A incomodada com abandono pode fundar um ministério.

A incomodada com injustiça pode se tornar voz profética.

A incomodada com o vazio espiritual pode dedicar sua vida ao discipulado.

O problema que você enxerga constantemente pode ser o problema que Deus deseja resolver através de você.

Nem Toda Crítica É Maturidade

Muitos confundem discernimento com crítica.

Mas existe uma pergunta decisiva:

Você está apenas reclamando do problema ou está disposto a fazer parte da solução?

É fácil apontar falhas.

Difícil é assumir responsabilidade.

A verdadeira indignação não produz apenas comentários.

Produz compromisso.

Não produz apenas diagnósticos.

Produz ação.

Reflexão Final

Talvez Deus esteja falando com você através daquilo que mais o incomoda.

Talvez a injustiça que o revolta.

A dor que o aflige.

A realidade que o deixa inquieto.

A situação que você gostaria desesperadamente de mudar.

Não sejam acidentes emocionais.

Talvez sejam pistas.

Pistas de um chamado.

Pistas de uma missão.

Pistas de uma atribuição divina.

Porque, no Reino de Deus, algumas pessoas recebem talentos.

Outras recebem oportunidades.

Mas algumas recebem algo ainda mais perigoso:

uma santa indignação.

E quando uma pessoa decide entregar sua indignação ao Espírito Santo, ela deixa de ser apenas alguém irritado com o mundo.

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